Não chores meu amor. Não chores, que não aguento ver-te chorar. Não chores, que para ti não morro. Morro para o mundo, para os outros, para todos os deles. Mas nuca para ti. Para ti acabo de nascer outra vez, num sítio diferente, de onde posso ver-te a todo o minuto. Que alegria é para mim, poder agora estar sempre contigo, a todos os minutos, cada passo que deres, eu estarei contigo meu amor. Agora que morro para os outros, para esta vida que já não me quer, vivo para ti e só para ti.
Serei o teu anjo da guarda, conduzir-te-ei da melhor maneira que puder, sejam quais forem os caminhos que, a partir de agora, escolheres seguir, até o dia, daqui a muito, muito tempo, em que também tu morrerás para os outros e passarás a viver só para mim, aqui, no lugar em que estou agora. Não tenhas pressa de vir meu amor, não tenhas pressa, porque aqui o tempo não passa. Vive a tua vida enquanto ela te quiser, porque a vida é boa e eu estarei sempre aqui , à tua espera, por mais anos e anos que passem, e eu quero que passem muitos. Vive a tua vida e só depois vem viver a nossa. Não tenhas pressa, que aqui o tempo não passa. A minha missão aqui começa agora, serei o teu anjo da guarda, até que comece verdadeiramente o nosso 'para sempre' e não há pressa meu amor, não há pressa porque depois é para sempre.
Quando leres esta carta eu já não estarei no teu mundo, estarei num mundo melhor, onde já não dói. Aqui, mais nenhuma doença me vence e arranca da vida e, estando aqui, eu posso estar sempre contigo. Por isso não chores, não chores meu amor, que não aguento ver-te chorar.
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11/11/2011
23/10/2011
Ainda sobre a perda e a forma como ela nos muda
Entrei para a faculdade, para a minha primeira opção, Serviço Social e estou certa de que é isso que quero. Mas só é assim porque há algum tempo afastei por completo da minha cabeça aquilo que, na verdade, sempre quis.
Eu queria tirar Jornalismo para fazer Jornalismo de Guerra. Estava convicta de que era isso que queria mesmo e durante muito tempo imaginei-me a fazer disso a minha profissão, imaginei a minha vida em torno disso. Até que, subitamente, perdi alguém querido que me fez pensar na facilidade com que somos retirados deste mundo. Morrer é tão fácil, causa tanto sofrimento a quem fica que não é justo morrermos por nos arriscarmos de livre vontade a isso enquanto outros lutam pela vida com todas as forças. Apercebi-me disso e decidi que quando morresse seria por não ter outra alternativa, decidi que com tanta coisa que podia fazer, não me iria meter no meio de guerras e catástrofes, longe dos que amo, a arriscar a minha vida todos os dias por opção própria. É assim que a perda nos muda.
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A perda e a forma como ela nos muda
Já sofri muitas perdas na minha vida, já vi partir muita gente que me era querida e ainda não consegui arranjar forma de lidar melhor com ela. Acho que nunca vou conseguir. Este ano tem sido um caos no que diz respeito a isso, desde o verão que as más notícias não param de chegar, e não há tempo para sarar o coração entre uma e outra notícia.
A perda, nesse contexto tão cruel que é a morte, faz-nos pensar como a vida é injusta, faz-nos pensar como é que nos podem ser retiradas dessa maneira pessoas tão queridas, pessoas que merecem o mundo e em vez disso vêem-se retiradas dele à força. Faz-nos pensar "porquê a nós?". Já cheguei à conclusão que a questão não é essa mas sim "porque não a nós?". Todos os dias desaparecem pessoas em todo o mundo, porque estaríamos nós a salvo disso? A vida é injusta para toda a gente, não somos ninguém para estarmos imunes à crueldade de uma perda.
Na quinta-feira recebi a notícia de uma das mortes mais injustas de que já tive conhecimento. Todas são, todas nos revoltam, principalmente quando se trata do desaparecimento de alguém próximo. O D. não me era muito próximo, para falar a verdade, vi-o duas ou três vezes. O D. tinha pouco mais de um ano e era irmão de um amigo meu, lutava contra a leucemia como gente grande, com uma força que julgava impossível para um ser tão pequenino, tão frágil, tão desprotegido. Mas o D. era forte, era mais forte do eu, do que o irmão, do que os pais e quando percebeu que não conseguia lutar mais deixou-se levar por essa injustiça que é a vida e partiu, partiu cheio de glória e tranquilidade. E apesar de ter deixado toda a gente que o amava e que torcia por ele a chorar, deixou a certeza de que está agora num sítio melhor, onde não passa por coisas que nem um adulto aguenta, partiu para um mundo onde os bebés não sofrem. Pelo menos é nisso que eu acredito, é a isso que temos que nos agarrar. Fica a certeza que o D. viverá para sempre dentro de quem o ama.
A perda, nesse contexto tão cruel que é a morte, faz-nos pensar como a vida é injusta, faz-nos pensar como é que nos podem ser retiradas dessa maneira pessoas tão queridas, pessoas que merecem o mundo e em vez disso vêem-se retiradas dele à força. Faz-nos pensar "porquê a nós?". Já cheguei à conclusão que a questão não é essa mas sim "porque não a nós?". Todos os dias desaparecem pessoas em todo o mundo, porque estaríamos nós a salvo disso? A vida é injusta para toda a gente, não somos ninguém para estarmos imunes à crueldade de uma perda.
Na quinta-feira recebi a notícia de uma das mortes mais injustas de que já tive conhecimento. Todas são, todas nos revoltam, principalmente quando se trata do desaparecimento de alguém próximo. O D. não me era muito próximo, para falar a verdade, vi-o duas ou três vezes. O D. tinha pouco mais de um ano e era irmão de um amigo meu, lutava contra a leucemia como gente grande, com uma força que julgava impossível para um ser tão pequenino, tão frágil, tão desprotegido. Mas o D. era forte, era mais forte do eu, do que o irmão, do que os pais e quando percebeu que não conseguia lutar mais deixou-se levar por essa injustiça que é a vida e partiu, partiu cheio de glória e tranquilidade. E apesar de ter deixado toda a gente que o amava e que torcia por ele a chorar, deixou a certeza de que está agora num sítio melhor, onde não passa por coisas que nem um adulto aguenta, partiu para um mundo onde os bebés não sofrem. Pelo menos é nisso que eu acredito, é a isso que temos que nos agarrar. Fica a certeza que o D. viverá para sempre dentro de quem o ama.
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