23/10/2011

A perda e a forma como ela nos muda

Já sofri muitas perdas na minha vida, já vi partir muita gente que me era querida e ainda não consegui arranjar forma de lidar melhor com ela. Acho que nunca  vou conseguir. Este ano tem sido um caos no que diz respeito a isso, desde o verão que as más notícias não param de chegar, e não há tempo para sarar o coração entre uma e outra notícia.
A perda, nesse contexto tão cruel que é a morte, faz-nos pensar como a vida é injusta, faz-nos pensar como é que nos podem ser retiradas dessa maneira pessoas tão queridas, pessoas que merecem o mundo e em vez disso vêem-se retiradas dele à força. Faz-nos pensar "porquê a nós?". Já cheguei à conclusão que a questão não é essa mas sim "porque não a nós?". Todos os dias desaparecem pessoas em todo o mundo, porque estaríamos nós a salvo disso? A vida é injusta para toda a gente, não somos ninguém para estarmos imunes à crueldade de uma perda.
Na quinta-feira recebi a notícia de uma das mortes mais injustas de que já tive conhecimento. Todas são, todas nos revoltam, principalmente quando se trata do desaparecimento de alguém próximo. O D. não me era muito próximo, para falar a verdade, vi-o duas ou três vezes. O D. tinha pouco mais de um ano e era irmão de um amigo meu, lutava contra a leucemia como gente grande, com uma força que julgava impossível para um ser tão pequenino, tão frágil, tão desprotegido. Mas o D. era forte, era mais forte do eu, do que o irmão, do que os pais e quando percebeu que não conseguia lutar mais deixou-se levar por essa injustiça que é a vida e partiu, partiu cheio de glória e tranquilidade. E apesar de ter deixado toda a gente que o amava e que torcia por ele a chorar, deixou a certeza de que está agora num sítio melhor, onde não passa por coisas que nem um adulto aguenta, partiu para um mundo onde os bebés não sofrem. Pelo menos é nisso que eu acredito, é a isso que temos que nos agarrar. Fica a certeza que o D. viverá para sempre dentro de quem o ama.

2 comentários:

Mariana F. disse...

A morte pode ser muito injusta... principalmente no que toca a uma criança, que nada fez para perder a vida. A verdade, é que tal como tu, eu acredito que estejamos onde estivermos depois da vida, estamos melhor. Custa sempre perder alguém e apesar de não nos serem chegados, afecta-nos sempre saber que bebés passam mais que muita gente já passou. Mas pronto, tenho a certeza que o D. está melhor agora, e não está a sofrer (:

susana disse...

Às vezes é melhor deixar as pessoas ir... Digo-te que tenho imenso medo de perder alguém que me seja próximo, nunca perdi ninguém e tenho a noção de que quando perder me vou desfazer. Não sei o que é essa dor, e se pudesse gostava de não vir a saber nunca... Mas é como dizes, "porque não a nós?". É agradecer enquanto não nos sentimos assim.